| DOMINGO 6 de setembro de 2026 |
SundaySession
O tênis além do placar.
☕ BOM DIA, TENISTA!
Hoje o Bola Curta joga diferente.
Durante a semana, nossa missão é simples: você dormiu, o tênis não. A gente corre atrás do que aconteceu, organiza o que realmente importa e entrega tudo para você começar o dia sabendo do jogo.

No domingo, a ideia é outra. É dia de diminuir um pouco a velocidade. De olhar para o tênis por outros ângulos e explorar histórias que nem sempre cabem entre um resultado e outro.
Ciência. Cultura. Comportamento. Moda. Negócios. Viagens. História. Cidades. Personagens. Histórias que começam dentro da quadra, mas não necessariamente terminam ali.
Claro que ninguém vai chegar ao fim desta edição sem saber o que aconteceu no circuito. As zebras, quem foi embora, quem está jogando bola e o que vale assistir na próxima semana continuam aqui. Só ficam para depois. Porque domingo é dia de ir um pouco além.
Welcome to the Sunday Session.
Todo domingo, o Bola Curta sai um pouco do placar para descobrir onde mais o tênis pode nos levar.
🩺 O TÊNIS ESTÁ COBRANDO CARO DEMAIS DO CORPO?
Quando um jogador se machuca, a explicação quase sempre começa no mesmo lugar: o calendário. Mais torneios. Mais partidas. Menos descanso. Faz sentido.
Mas talvez exista outra parte dessa história acontecendo dentro da própria quadra. Porque não foi apenas o calendário que mudou. O tênis também mudou.
Assista a alguns minutos de uma partida dos anos 90 e depois volte para Flushing Meadows em 2026. A diferença aparece rápido. A bola anda mais. Os jogadores chegam em mais bolas. O saque cresceu. A defesa vira ataque em uma fração de segundo. E praticamente não existe mais ponto neutro.
Dados de rastreamento ajudam a colocar números nessa sensação. Um estudo com partidas profissionais encontrou, em média, 1,6 mudança de direção por ponto. Entre os homens, durante as trocas, uma mudança acontece aproximadamente a cada 2,7 segundos.
E não estamos falando apenas de pequenos ajustes de posição. É arrancar. Frear. Girar. E arrancar novamente.
Por isso, simplesmente dizer que um tenista percorreu alguns quilômetros durante uma partida conta muito pouco sobre o esforço real. Três quilômetros de tênis não são três quilômetros no parque. São centenas de pequenas explosões distribuídas ao longo de horas — e tudo isso enquanto o jogador ainda precisa controlar uma bola viajando a mais de 150 km/h.
🎾 A bola também acelerou
Comparar gerações não é tão simples quanto parece. Hoje temos Hawk-Eye, sensores, rastreamento de movimento e uma quantidade quase absurda de dados. Nos anos 90, boa parte disso simplesmente não existia. Então seria irresponsável inventar uma comparação perfeita de distância percorrida entre Pete Sampras e Carlos Alcaraz.
No saque, porém, existem algumas pistas. Na final de Wimbledon de 1993, Sampras teve média próxima de 177 km/h no primeiro serviço. Hoje, a média do primeiro saque no circuito masculino está perto de 187 km/h. E entre os maiores sacadores do mundo, passar dos 200 já faz parte da paisagem.
Mas talvez a evolução mais importante nem esteja no saque. Raquetes, cordas, preparação física e técnica permitiram bater mais forte sem necessariamente perder controle. A bola ficou mais rápida. E o jogador também.
🏥 E a conta chega no corpo?
Essa é a pergunta que começa a aparecer cada vez mais no circuito. A PTPA analisou aproximadamente 30 mil partidas ao longo de oito anos e vem alertando para o crescimento dos problemas físicos e para a redução do tempo disponível para recuperação.
Carlos Alcaraz é um ótimo personagem para essa discussão. Ele chegou ao US Open depois de passar meses afastado por uma lesão no punho. E nesta semana falou sobre começar a programar pausas maiores dentro da própria temporada. Um mês. Talvez dois. Porque tentar jogar tudo simplesmente pode ter deixado de ser sustentável.
Durante anos perguntamos se o tenista moderno está jogando partidas demais. Talvez seja hora de acrescentar outra pergunta: quanto custa, fisicamente, uma partida de tênis moderno?
O calendário aumentou. O jogo acelerou. A recuperação diminuiu. Talvez o problema não seja simplesmente que o tenista joga mais. Talvez cada ponto esteja custando mais ao corpo.
🎟️ GROUND PASS — De Flushing Meadows à Fifth Avenue
Todo fim de agosto acontece algo curioso em Nova York. O US Open começa em Flushing Meadows, no Queens, mas rapidamente parece grande demais para ficar restrito às quadras. O tênis atravessa o East River e chega a Manhattan.
Neste ano, até o histórico Grand Ballroom do Waldorf Astoria virou quadra. Sob os lustres de um dos hotéis mais emblemáticos da cidade, jogadores profissionais disputaram uma exibição onde normalmente acontecem alguns dos eventos mais elegantes de Nova York. E a moda, mais do que nunca, entrou em quadra.
Carlos Alcaraz apareceu no Arthur Ashe com uma versão especial do Nike Zoom Vapor 12 em colaboração com Travis Scott. Frances Tiafoe continua sendo uma das principais caras da Lululemon no tênis. Aryna Sabalenka levou referências do basquete e de Nova York para o próprio uniforme.
O US Open talvez seja o único Grand Slam onde tudo isso parece completamente natural. Wimbledon preserva o branco e a tradição. Roland Garros tem Paris e o saibro. Nova York mistura tênis com música, moda, gastronomia, celebridades e qualquer outra coisa que esteja acontecendo na cidade naquele momento.
E neste ano nem Nova York pareceu suficiente. Roger Federer voltou ao Arthur Ashe para uma noite de exibição e, poucos dias depois, seguiu pela Costa Leste até Newport para sua entrada no International Tennis Hall of Fame. A viagem quase refez a história do torneio ao contrário: foi em Newport, em 1881, que aconteceu o primeiro campeonato nacional masculino dos Estados Unidos; em 1915, o torneio seguiu para Nova York. Mais de 140 anos depois, Federer fez o caminho inverso.
De Flushing Meadows à Fifth Avenue. Do Waldorf Astoria às mansões de Newport. Por algumas semanas, o tênis parece encontrar perfeitamente o ritmo do fim do verão americano.
O US Open acontece em Flushing Meadows. Nova York inteira entra em quadra.
💭 E A PRÓXIMA SUNDAY SESSION?
Essa é a ideia do domingo: usar o tênis como ponto de partida para conversar sobre coisas que vão muito além do placar. Ciência, cultura, comportamento, moda, viagens, negócios, história — e provavelmente um monte de assunto que a gente ainda nem pensou.
Por isso, agora queremos ouvir vocês. O que vocês gostariam de ver nas próximas Sunday Sessions? Vale tema, curiosidade, história, personagem, lugar, uma pergunta que nunca teve resposta. Ou até aquela discussão sobre tênis que sempre aparece na mesa do bar e ninguém nunca foi atrás para descobrir quem está certo.
Manda pra gente. As melhores ideias e recomendações podem virar pauta nas próximas edições. Porque se domingo é dia de olhar o tênis por outro ângulo, melhor ainda se a gente escolher junto para onde olhar.
Sugerir uma pauta →Agora, sim: o tênis
Se você chegou até aqui pensando “Legal. Mas quem ganhou?” — calma. A gente não esqueceu. Agora voltamos para dentro das linhas. Aqui está tudo que você precisa saber antes de começar a segunda semana do US Open.
💣 A ZEBRA DA SEMANA
Novak Djokovic chegou a Nova York buscando o 25º Grand Slam. Durou uma partida.
Mariano Navone, argentino muito mais associado ao saibro do que às quadras rápidas, venceu Djokovic em cinco sets: 7/6, 5/7, 4/6, 6/2 e 6/1, em 4 horas e 36 minutos.
Foi a primeira derrota de Djokovic na estreia de um Grand Slam desde 2006. Vinte anos. O sérvio sofreu fisicamente e terminou praticamente sem resposta nos últimos sets.
Pode ter sido apenas uma derrota. Mas aos 39 anos, toda derrota de Djokovic em um Grand Slam começa com uma pergunta e termina com outra. Como ele perdeu? E, inevitavelmente: quantas ainda faltam?
👋 UMA GERAÇÃO COMEÇA A SAIR
Stan Wawrinka voltou a Nova York para uma última dança. Campeão do US Open de 2016, o suíço de 41 anos fez sua última aparição em uma chave de Grand Slam.
Poucos dias depois, foi a vez de Gaël Monfils, que perdeu para Learner Tien — um americano exatamente 20 anos mais jovem. Existe alguma poesia nisso: Wawrinka e Monfils vão deixando o palco enquanto Tien, Iva Jovic, Alex Eala e uma nova geração começam a ocupar espaço.
O circuito não anuncia quando acontece uma troca de guarda. Ela simplesmente acontece. Às vezes numa quinta-feira qualquer em Nova York.
🚨 CADÊ TODO MUNDO?
Nem chegamos às oitavas e algumas cadeiras importantes já estão vazias.
❌ Novak Djokovic — Mariano Navone. Primeira rodada. A maior bomba.
❌ Felix Auger-Aliassime — Caiu diante de Karen Khachanov.
❌ Alex de Minaur — Botic van de Zandschulp resolveu em três.
❌ Lorenzo Musetti — Eliminado por Dane Sweeny, número 123 do mundo.
❌ Andrey Rublev — Daniel Mérida acabou com sua campanha.
❌ Arthur Fils — Chegou embalado e encontrou Tsitsipas logo na estreia.
❌ Jasmine Paolini — Sorana Cirstea venceu em sets diretos.
E o sábado ainda pode aumentar a lista. Grand Slam não espera ninguém.
A SEMANA EM NÚMEROS
🔥 QUEM CHEGA QUENTE?
🇪🇸 Carlos Alcaraz — Meses sem jogar, lesão no punho, volta direto num Grand Slam. E, por enquanto, parece que alguém esqueceu de avisá-lo que deveria estar enferrujado. Na sexta-feira, Alcaraz passou por Yibing Wu por 6/3, 6/4 e 6/1. Agora acabou o aquecimento: nas oitavas vem Tommy Paul, americano, em Nova York. É aqui que começamos a descobrir exatamente onde está o nível de Alcaraz.
🇧🇾 Aryna Sabalenka — Enquanto o chaveamento se movimenta ao redor dela, Sabalenka continua fazendo algo bastante simples: ganhar. A número 1 está novamente nas oitavas e continua buscando o terceiro US Open consecutivo. Próxima adversária: Taylor Townsend. Desta vez, provavelmente haverá mais gente torcendo contra ela do que a favor.
🐙 Daniil Medvedev — Está fazendo aquilo que jogadores perigosos adoram fazer na primeira semana de um Slam: passar despercebido. O campeão de 2021 chegou às oitavas jogando muito bem. Enquanto favoritos vão desaparecendo, ele continua ali. Em Nova York, isso nunca é detalhe.
🇬🇷 Stefanos Tsitsipas — Pode conferir duas vezes: é verdade. Stefanos Tsitsipas está nas oitavas do US Open pela primeira vez na carreira. Ex-número 3, finalista de Roland Garros, finalista do Australian Open — e nunca havia passado da terceira rodada em Nova York. Algumas relações simplesmente demoram um pouco mais para funcionar.
🇺🇸 AMERICA, ARE YOU READY?
Talvez um dos números mais interessantes da primeira semana seja: 15. Quinze americanos chegaram à terceira rodada, o maior contingente desde 2002.
No feminino, os Estados Unidos já voltaram há algum tempo ao centro da conversa. No masculino existe uma ferida bem mais antiga: Andy Roddick, US Open — esse continua sendo o último título de Grand Slam de um homem americano. Shelton, Fritz, Paul, Tiafoe, Tien: talvez nenhum deles seja o grande favorito, mas depois de 23 anos, Nova York começou a fazer as contas novamente.
👀 AGORA COMEÇA OUTRO US OPEN
A primeira semana de um Grand Slam é sobre sobreviver. A segunda é sobre ganhar. E domingo começam as oitavas.
🇪🇸 Carlos Alcaraz x 🇺🇸 Tommy Paul — Alcaraz chega depois de resolver sua terceira rodada em três sets. Paul precisou de cinco para sobreviver a Alexander Bublik. O espanhol é favorito, mas Paul joga em casa, gosta de quadra rápida e não parece o tipo de jogador que vai entrar no Arthur Ashe apenas para participar da festa. Primeiro grande teste da volta de Alcaraz.
🇧🇾 Aryna Sabalenka x 🇺🇸 Taylor Townsend — A número 1 contra uma americana em Nova York. Sabalenka tem potência, Townsend tem variedade, mão e provavelmente um estádio inteiro. No papel, favoritismo claro — mas o Arthur Ashe nem sempre lê o papel.
🇺🇸 Jessica Pegula x 🇷🇴 Sorana Cirstea — Pegula precisou virar contra Leylah Fernandez. Cirstea acabou de tirar Jasmine Paolini em sets diretos. Não parece passeio.
🇺🇦 Marta Kostyuk x 🇨🇿 Linda Noskova — Talvez não seja o jogo que vai vender mais ingressos. Pode tranquilamente ser um dos melhores: duas jogadoras agressivas, duas integrantes de uma geração que já parou de pedir licença.
🔮 CINCO PERGUNTAS PARA A SEGUNDA SEMANA
- Alcaraz está realmente 100%? A primeira semana mostrou que ele consegue jogar. A segunda vai mostrar até onde o corpo aguenta.
- Quem aproveita o espaço deixado por Djokovic? A eliminação do sérvio não tirou apenas um favorito. Abriu uma avenida no chaveamento. Alguém vai atravessá-la.
- Sabalenka consegue o tri? Ganhar um US Open muda uma carreira. Ganhar três seguidos muda seu lugar na história.
- Finalmente vem um americano? Nova York espera desde 2003. E raramente chegou à segunda semana com tantas opções.
- Quem será a próxima zebra? Depois de Navone x Djokovic, talvez seja melhor parar de chamar qualquer coisa de impossível.
🌎 E ENQUANTO ISSO…
O problema de existir um Grand Slam é que, durante duas semanas, parece que o resto do tênis desapareceu. Não desapareceu. Challengers continuam acontecendo. Brasileiros continuam viajando. Pontos continuam sendo disputados. Rankings continuam mudando. E muita carreira é construída bem longe das câmeras do Arthur Ashe.
Nada de encher linguiça. Se vale saber, entra. Se não vale, domingo é curto demais.
📅 A SEMANA QUE COMEÇA
Agora acabou a margem para erro. Oitavas. Quartas. Semifinais. Finais. Uma semana separa quem sobreviveu à primeira metade do torneio de quem vai sair de Nova York com um troféu.
A primeira semana eliminou nomes. A segunda começa a produzir campeões.